60 km/h. A paisagem lá fora é um esboço, um espetáculo de luzes transmitido ao vivo para pessoas ligadas no 220 volts. Muitas estatísticas e informações, poucos sentimentos. 70 km/h. Daqui a pouco já é Natal de novo; datas certas no calendário para pessoas programas, agendas cheias de compromissos vazios. 80 km/h. Começou a chover. A água tamborila contra o capô, encharca o vidro, forma cicatrizes que só vão aparecer amanhã, quando talvez seja tarde demais.
A consciência acende, manda reduzir, mas o cérebro não obedece e a velocidade não abaixa. 90 km/h. Erros por desatenção, erros por falsas necessidades impostas. 100 km/h. A vida não é mais uma aventura, é uma perseguição. 110 km/h. Talvez não seja uma perseguição, mas uma fuga. Fugir do fracasso e fracassar por não estar aqui. Você ainda está aqui? Nessa velocidade já desintegrou?
120 km/h. O tempo se tornou o vilão de um thriller psicológico. Ele vira um tirano, não espera por ninguém. Faz você andar, correr, voar. Cair. 130 km/h. Há um animal no meio da estrada. O freio é acionado. O animal desvia, foge. O carro não ia parar a tempo, ainda não parou. Parou agora, forçado a parar. Mãos trêmulas no volante. A estrada era uma reta, mas podia ser uma curva. E se fosse uma curva?
Não é o tempo, é você. Vivendo na tomada, controlado pelo relógio ou pela ansiedade de um futuro diferente do agora. Pequenas grandes coisas deixadas para trás. Pequenos grandes momentos atropelados. Por que estava correndo, aonde ia com tanta pressa? As mãos pararam de tremer, o susto passou, escorreu com a chuva. O seu reflexo no espelho retrovisor frontal voltou a cor normal, respiração normal. Ele faz questão de te lembrar que, sim, você sobreviveu, está vivo. Mas você ainda está aqui?
A consciência acende, manda reduzir, mas o cérebro não obedece e a velocidade não abaixa. 90 km/h. Erros por desatenção, erros por falsas necessidades impostas. 100 km/h. A vida não é mais uma aventura, é uma perseguição. 110 km/h. Talvez não seja uma perseguição, mas uma fuga. Fugir do fracasso e fracassar por não estar aqui. Você ainda está aqui? Nessa velocidade já desintegrou?
120 km/h. O tempo se tornou o vilão de um thriller psicológico. Ele vira um tirano, não espera por ninguém. Faz você andar, correr, voar. Cair. 130 km/h. Há um animal no meio da estrada. O freio é acionado. O animal desvia, foge. O carro não ia parar a tempo, ainda não parou. Parou agora, forçado a parar. Mãos trêmulas no volante. A estrada era uma reta, mas podia ser uma curva. E se fosse uma curva?
Não é o tempo, é você. Vivendo na tomada, controlado pelo relógio ou pela ansiedade de um futuro diferente do agora. Pequenas grandes coisas deixadas para trás. Pequenos grandes momentos atropelados. Por que estava correndo, aonde ia com tanta pressa? As mãos pararam de tremer, o susto passou, escorreu com a chuva. O seu reflexo no espelho retrovisor frontal voltou a cor normal, respiração normal. Ele faz questão de te lembrar que, sim, você sobreviveu, está vivo. Mas você ainda está aqui?
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Ei, psiu! Aonde vai com tanta pressa? Relaxe, respire. Faça uma viagem, reconecte-se com a sua infância, brinque com o seu cachorro ou amigos e, durante esses minutos, sinta o tempo parar a seu favor :)

