No original "The perks of being a wallflower", escrito pelo estadunidense Stephen Chbosky,
com 224 páginas e publicado no Brasil pela Rocco
"A gente aceita o amor que acha que merece."
Gosto de começar resenhas com um breve resumo do começo da história, para incitar a curiosidade alheia. Mas, no caso de As Vantagens de Ser Invisível não saberia ir além de: "Esse é Charlie. Charlie é um adolescente. Charlie tem amigos e Charlie vai para a escola..." Então vou pular essa parte e ir direto para o que interessa.
Primeiro uma confissão. Li as trinta primeiras páginas xingando todo mundo que tinha recomendado fervorosamente a história. À primeira vista, Charlie era tão ingênuo para um garoto de 15 anos que chegava a fugir um pouco da realidade teen e o livro era apenas uma salada de frutas de assuntos polêmicos. Mas continuei a ler, pois com tantas recomendações o livro precisava ter algo especial e envolvente.
E tem. E não estou falando apenas de ter Logan Lerman, Ezra Miller e Emma Watson na pele das personagens principais na adaptação para o cinema. Estou falando da evolução de Charlie, que deixa – e não deixa ao mesmo tempo – de ser invisível para se transformar num pedacinho de cada um de nós, fazendo com que a gente se lembre daquela amiga, irmão, você mesmo talvez, primo, whatever, que passou pela mesma situação que o livro narra.
"Quando chegamos ao fim do túnel, Sam deu um grito muito divertido, e foi isso. Chegamos ao centro. As luzes nos prédios e todo o resto eram maravilhosos. Sam se sentou e começou a rir. Patrick também riu. Eu comecei a rir. E naquele momento eu seria capaz de jurar que éramos infinitos." [pág. 49]
É nesse momento que Charlie se torna real, quando o leitor se identifica com as personagens e passa a querer estar ao lado delas, sorrir com elas, abraçá-las, trocas idéias. Ou seja, se sentirem infinitos juntos. Se envolverem. Um livro que consegue essa dádiva só pode ser especial.
É nesse momento que Charlie se torna real, quando o leitor se identifica com as personagens e passa a querer estar ao lado delas, sorrir com elas, abraçá-las, trocas idéias. Ou seja, se sentirem infinitos juntos. Se envolverem. Um livro que consegue essa dádiva só pode ser especial.
Além disso, Stephen Chbosky constrói passagens estratégicas que emocionam e permitem a reflexão. Muito comumente, não paramos para pensar sobre certos assuntos até que eles atinjam a nós mesmos ou a nossos amigos e familiares. Charlie com certeza se tornará amigo do leitor, de forma que levará milhares a pensar sobre matérias que muitos preferem não tratar, como se elas não existissem ou como se nunca pudessem acontecer com eles.
E como faz para se despedir de um amigo? Não faz. O livro acaba e fica aquela sensação de vazio, aquela vontade de saber como Charlie vai continuar seguindo. Como ele vai conseguir ser brilhante, mesmo tendo de conviver com os seus problemas e fantasmas do passado. Porque, se pudesse, a gente acompanhava Charlie e suas leituras pro resto da vida.
"Então, se esta for a minha última carta, por favor, acredite que está tudo bem comigo, e mesmo quando não estiver, ficará bem logo depois. E eu acredito que seja assim com você também." [pág. 223]
"Então, se esta for a minha última carta, por favor, acredite que está tudo bem comigo, e mesmo quando não estiver, ficará bem logo depois. E eu acredito que seja assim com você também." [pág. 223]
Mas apesar de tudo, As Vantagens de Ser Invisível não é um livro que vai agradar a todos (e algum é?). Ele não tem um mistério que vai fazer você virar as páginas furiosamente para decifrar o enigma. Também não é uma fantasia que vai te tirar da realidade por alguns minutos, nem uma comédia que fará suas bochechas doerem de tanto rir. Mais do que entretenimento, a história de Charlie é um reflexo da realidade. Então, por favor, leia o livro. E não julgue as personagens; tente entendê-las. Tente se sentir infinito durante a leitura e também depois de alcançar a última página.




