Escrito pelo brasileiro Eduardo Spohr, com 473 páginas e publicado pela Verus
"Nem tudo que provém da natureza humana é necessariamente cruel."
Rachel é uma estudante na universidade de Santa Helena, na região serrana do Rio de Janeiro e ultimamente tem andado indisposta, com dores de cabeça, crises de vômito e pesadelos com uma misteriosa menina que lhe pede ajuda. Um dia, Rachel conhece dois homens, Urakin e Levih – anjos, na verdade – que insistem que ela é Kaira, uma arconte desaparecida há dois anos durante uma missão que, se fracassasse, mudaria completamente os rumos de uma guerra milenar que acontece nos céus.
Rachel obviamente não acredita, mas quando sua vida é exposta a um grande perigo e pequenas verdades são reveladas, ela embarca numa jornada para descobrir o que houve com suas memórias, desvendar quem é a menina do sonho e de quebra também retomar sua missão interrompida. Ao lado do sombrio Denyel, um querubim exilado que o destino põe no seu caminho, Kaira/Rachel parte então em direção às ruínas de Athea, uma antiga e bem protegida colônia da legendária Atlântida. E ela passará a enfrentar muitos perigos.
Primeiro, se você não sabe nada sobre anjos e não faz a menor ideia do que seja um arconte ou um querubim, não se preocupe. Além de ter várias explicações informativas durante a narrativa, Filhos do Éden – Herdeiros de Atlântida também conta com um apêndice que impede qualquer dúvida quanto à dinâmica dos celestiais. O livro é o primeiro volume de uma série que antecede os acontecimentos do épico A Batalha do Apocalipse, romance best-seller de estreia do Eduardo Spohr (então não, você não precisa ler A Batalha do Apocalipse para entender Filhos do Éden).
“Nada persiste por mais de um instante. Seja uma descarga cósmica ou um domingo de sol, todas as coisas estão em movimento. (...) Vida e morte, bem e mal, passado e presente são apenas miragens transitórias.” [pág. 402]
Dessa vez, Eduardo Spohr traz batalhas menos heroicas e anjos mais humanizados, o que abre espaço para desfrutar bem das relações entre personagens, com destaque para a dinâmica de Kaira e Denyel e a pureza de Levih [♥]. Além disso, vemos mais elementos da cultura brasileira durante a aventura, e as grandes batalhas com espadas perdem espaço para confrontos a) corpo a corpo; b) mágicos; e c) com auxílio de revólveres que farão os entusiastas por armas de fogo se encherem de orgulho.
O livro é grande, mas não fica tedioso, e as descrições dos lugares mágicos por onde os protagonistas passam são excelentes. A batalha do final tem seus altos e baixos, e Herdeiros de Atlântida termina criando links para as próximas sequências (já que é uma trilogia) e, com tanta coisa ainda para ser explorada dentro e fora desses personagens mais humanizados e misteriosos, não tem como não ficar com aquela sensação de que o autor está reservando o melhor para o final.




